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ARRANHA-CÉU
(Silvio Caldas-Orestes Barbosa)
Cansei de esperar
por ela,
toda a noite, na janela
vendo a cidade a luzir
nesses delírios nervosos
dos anúncios luminosos,
que são a vida a mentir...
E, cada vez que subia,
o elevador não trazia
essa mulher - maldição!
E, quando, lento, gemia
o elevador que descia,
subia o meu coração!
Cansei de olhar
os reclames
e disse ao peito: não ames,
que o teu amor não te quer.
Descansa, fecha a vidraça,
esquece aquela desgraça,
esquece aquela mulher.
Deitei-me, então, sobre o peito,
vieste, em sonho, ao meu leito,
e eu acordei, que aflição!
Pensando que te abraçava,
alucinado apertava
eu mesmo o meu coração!
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