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ARREPENDIMENTO
(Gastão Lamounier-Olegário Mariano)
Meu amor,
por que pensas ainda em mim?
Não choremos a vida passada,
porque todo romance tem fim.
Teu olhar,
quando sinto cair no meu,
o que sofro não posso dizer-te porque
minha voz na garganta morreu.
Hoje em dia,
que vivo sozinho,
recordando o calor que te dei,
ao invés de saudade ou carinho,
tenho horror de lembrar que te amei.
Se ainda falo
na antiga promessa
que tua boca, tremendo dizia,
é que nunca supus que, hoje em dia,
se esquecesse um amor tão depressa.
Guarda bem na lembrança e no ouvido
o que penso, ao lebrar-me de ti:
não recordo teu beijo fanado, esquecido,
nem lamento esse amor que perdi.
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