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A VOLTA DO
BOÊMIO
(Adelino Moreira)
Boemia,
aqui me tens de regresso
e, suplicante, te peço
a minha nova inscrição.
Voltei
pra rever os amigos que, um dia,
eu deixei, a chorar de alegria,
me acompanha o meu violão.
Boemia,
sabendo que andei distante,
sei que essa gente falante
vai, agora, ironizar:
"Ele
voltou,
o boêmio voltou, novamente,
partiu daqui tão contente...
por que razão quer voltar?"
Acontece
que a mulher
que floriu meu caminho
de ternura, meiguice e carinho,
sendo a vida do meu coração,
compreendeu
e abraçou-me dizendo a sorrir:
"Meu amor, você pode partir,
não esqueça o seu violão.
Vá rever
os seus rios, seus montes, cascatas,
vá sonhar em novas serenatas
e abraçar seus amigos leais.
Vá embora,
pois, me resta o consolo e a alegria
em saber que, depois da boemia,
é de mim que você gosta mais"!
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