|
|
NÚMERO
UM
(Benedito Lacerda-Mário Lago)
Passaste
hoje ao meu lado
vaidosa, de braço dado
com outro que te encontrou...
E eu relembrei, comovido,
um velho amor esquecido
que o meu destino arruinou...
Chegaste na minha vida
cansada, desiludida,
triste, mendiga de amor...
E eu, pobre, com sacrifício,
fiz um céu do teu suplício,
pus risos na tua dor...
Mostrei-te
um novo caminho,
onde, com muito carinho,
levei-te numa ilusão...
Tudo, porém, foi inútil,
eras, no fundo, uma fútil
e foste de mão em mão...
Satisfaz tua vaidade,
muda de dono à vontade,
isso, em mulher, é comum...
Não guardo frios rancores,
pois, entre os teus mil amores,
eu sou o número um!
|
|