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O LENÇO
DELA
(Alvares de Azevedo)
Quando,
à primeira vez, da minha terra
deixei as noites de amoroso encanto,
a minha doce amante suspirando
volveu-me os olhos úmidos de pranto.
Um
romance cantou de despedida,
mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos
e deu-me o lenço que molhava o pranto.
Quantos
anos, contudo, já passaram!
Não olvido, porém, amor tão santo!
Guardo, ainda num cofre perfumado
o lenço dela que molhava o pranto.
Nunca
mais a encontrei na minha vida,
eu, contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh, quando eu morrer estendam no meu rosto
o lenço que eu banhei, também de pranto!
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